sábado, 15 de maio de 2010
Um dia pra ter mais valor
O teu pão inteiro será pra ti migalhas, mas ainda assim, vais querer dividi-lo.
Lembrás de quando teu pão inteiro podia ser meio.
E, mesmo podendo ser sobra, sua escolha foi tê-lo.
Que tamanho tem o teu pão hoje?
Vês ele inteiro como eu? E como está seu cheiro?
Estais farto? Ou será que estais aos poucos e não suporta nem a vc mesmo?
Chegará a hora de comer teu pão
Amassado por ti
Sentou nele, velando-o, vigiando-o, tendo-o.
Olhas pra ele, podre.
Olhas à mesa, vazia.
Olhas a ti, indigesta.
Aprende, enfim, que pão só se multiplica se dividido.
Pão guardado é finito.
Carta a um amigo
É. Lidar com as diferenças não é nada fácil, e muitas vezes movimenta muito dentro da gente (não sei bem se é disso que vc fala quanto à sua renovação). Mas o saldo é sempre positivo.
A diferença pode nos mostrar que precisamos mudar algumas coisas, ou pode nos mostrar que estamos no caminho certo e reafirmar nossas posturas.
Tô bem. As coisas no trabalho melhoraram bastante (e na minha forma de lidar com ele também). Às vezes me sinto cansada de ainda estar lá e trabalhar com os projetos repetitivos que já saem no automático e não me ensinam muito. Mas tô sendo reconhecida e aprendendo com esse domínio... Aprendido a ter paciência e esperar pelos "louros" da vida. Nos últimos anos tenho vivido como se as conquistas implicassem sempre no recomeço (que é algo que me estimula muito. Um vício.). Tenho amadurecido e percebido que é preciso sabedoria para ultrapassar o cansaço de dominar certas tarefas, e não querer logo partir pra outra, virgem. Percebo que o depois pode ser recompensador. E, de repente, aprendo com a repetição (eu e minhas viagens, tu deves tá pensando agora rsrsrsr!).
Minhas viagens mentais/filosóficas tem aumentado ultimamente. Tenho experimentado o tratamento homeopático pra minhas 345.657.567 alergias. Pensa numa coisa pra mexer com a cabeça de um ser humano??? Tomo o tal pozinho e passo uma noite intensa de sonhos incessantes. De manhã uma sensação de ter passado a noite pensando (e passo). Só que sem lembrança alguma. Dai tem dias que eu acordo melancólica, outros irritada, ou como agora (acho) saudosa e falante/viajante (mas só nos dias que procedem o pozinho alucinógeno. rsrsr). Olha isso... Tá quase saindo um diário de uma simples resposta de "como vc está?" hahahhaha! Acho que vou levar esse e-mail pra minha próxima consulta.
Tenho bebido pouco (bebi muito o ano passado, isso era uma promessa para este ano). Tô correndo todos os dias, NA AREIAAAAAA. (sarada! rsrsr.), me sentindo saudável. Ainda divido apartamento. É bom, mas dentro em breve conseguirei conquistar um espaço pra chamar de meu, meu sonho (outra meta pra esse ano).
Chega de falatório. Já tô dando muito crédito pra ti e esquecendo que tu é um chato que me aborrece! (rsrsr!)
Espero que sua mãe melhore e dias engraçados, coloridos, embreagados, ensolarados, voltem pra vc (e principalmente pra ela, né?). Sei bem como vc incorpora seus problemas, e multiplica o peso deles nas suas costas... O bom de viver situações difíceis, como essa da sua mãe, é que "pancadas" assim podem nos ajudar a simplificar outros problemas, dar a dimensão justa pras coisas que costumamos ver gigantescas - e que muitas vezes nos paraliza. Coisa de ser gente.
Amigo.... um beijo.
Lyvia.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dobradinha
(por Joaquim Haickel)
Ainda criança aprendi o que é uma ilha.
Nasci em uma!
Agora marcado pelas memórias
descobri que podem haver outros tipos
Descobri que uma porção de terra
cercada de poesia por todos os lados,
cercada de amor,
também é uma ilha.
A Ponte
(por Lyvia Viana)
E quem ama essa Ilha sabe também desde cedo o que é Ponte
Carrega as cores, sabores e sotaques desse lugar a qualquer outro
A Ponte que está em mim
na minha fala
na minha gente
o que é meu
E invade o poema como maré alta em Panaquatira
Enche meu peito de saudade,
e traz aqui pra longe o cheiro de mar, peixe-pedra e Guaraná Jesus
Com mágica e poesia
A Ponte agora é a Ilha.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Museu de grandes novidades
Ai a cada vez que nos olhássemos no espelho lembraríamos diariamente que é no mínimo uma questão de respeito nos preservarmos de antigos sentimentos ruins. Além disso, sairíamos por ai publicamente estúpidos e a cada olhar de repreensão alheia seria uma dose homeopática de vergonhosa lembrança que reforçaria a necessidade de fazermos a escolha certa e honesta conosco.
É ruim sentir isso de cometer erros antigos tantas vezes, principalmente erros que trazem tantos sentimentos ruins e abrem uma bagagem triste da vida.
Partiremos para a próxima.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Homenagem a Nauro Machado

Lendo um trecho de Baudelaire, publicado no Blog "Desculpe a poeira", lembrei do poeta maranhense Nauro Machado, que bem menos reconhecido que o escritor francês, é tão sofisticado quanto, em seus poemas existencialistas que é a sua marca inconfundível.
Aproveito então para fazer a minha homenagem a "Seu Nauro", um dos maiores poetas brasileiros. Intenso e enciclopédico em seus poemas e pura simplicidade caminhando pelas ruas de São Luís.
(Talvez ele não leia este post, mas...) Um beijo "Seu Nauro"!
Para degustação:
Ofício
Ocupo o espaço que não é meu, mas do universo.
Espaço do tamanho do meu corpo aqui,
enchendo inúteis quilos de um metro e setenta
e dois centímetros, o humano de quebra.
Vozes me dizem: eh, tu aí! E me mandam bater
serviços de excrementos em papéis caídos
numa máquina Remington, ou outra qualquer.
E me mandam pro inferno, se inferno houvesse
pior que este inumano existir burocrático.
E depois há o escárnio da minha província.
E a minha vida para cima e para baixo,
para baixo sem cima, ponte umbilical
partida, raiz viva de morta inocência.
Estranhos uns aos outros, que faço eu aqui?
E depois ninguém sabe mesmo do espaço
que ocupo, desnecessário espaço de pernas
e de braços preenchendo o vazio que eu sou.
E o mundo, triste bronze de um sino rachado,
o mundo restará o mesmo sem minha quota
de angústia e sem minha parcela de nada.
Apenas uma Coisa
Existe amor?
Palpável como o dia,
como a matéria com que é feito o objeto
chamado mesa, catedral ou baço
nitrindo em tantas coisas?
Como amar
esta incorpórea substância carnal,
este lampejo de chão no infinito?
Existe amor?
Palpável como a terra?
Debaixo ou sobre a terra, ainda carne,
algum finado saberá do amor,
essa chama votiva a brilhar ainda?
Amou Torquato a Maria? Amou deveras?
Digam-nos os anjos corcundas do além,
a ave agoureira ao céu crucificada,
o revoar de asas na papal coroa.
Amou Torquato a Maria, ainda carne?
Ama Maria a esse pó apenas nome
legado aos filhos como letra morta,
como moeda gasta em mão mendiga?
Chupando um dedo só, o amor se alimenta.
O Parto
Meu corpo está completo, o homem - não o poeta.
Mas eu quero e é necessário
que me sofra e me solidifique em poeta,
que destrua desde já o supérfluo e o ilusório
e me alucine na essência de mim e das coisas,
para depois, feliz e sofrido, mas verdadeiro,
trazer-me à tona do poema
com um grito de alarma e de alarde:
ser poeta é duro e dura
e consome toda
uma existência.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Amor, prosa, versos e msn
eu queria te oferecer a cura meu amor
mas como te curar de ti mesma?
ofereco entao companhia, drinks e 2 ingressos pro espetaculo
das nossas vidas
com direito a transformação em entidades sobrenatural no fim
é o q dá.
sei da tua cor, do teu estado, da tua loucura, tudo certo já
escrevo um cordel (encantado) e faço um teatro (mágico)
tu chega no fim
de noiva
ahh.. noiva nao...nao é desfile
tu chega de MARANHÃO
é lá da Paraíba
depois eu te explico!!!!
