segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um ofício, um prazer!

Pelo Ouvido, MA, Brasil, 18', Joaquim Haickel (trailer)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Já fui de esconder o que sentia*

* Texto da gaúcha Martha Medeiros

E sofri com isso.
Hoje não escondo nada do que sinto e penso, e às vezes também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento.
Assisti ao filme "Mentiras sinceras" com uma pontinha de decepção - os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco - mas, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir.
E eu pensei: como é fácil libertar uma pessoa de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira.
Falar o que se sente é considerado uma fraqueza.
Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala.
Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus.
E não é este tipo de nudez que nos atrai.
Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve.
É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente se sabe.
Mas sabe-se o quê?
O que todos nós, no fundo, queremos saber:
Se somos amados.
Tão banal, não?
E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleija nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras.
Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ele é - ou foi - importante?
Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca.
Dizer, simplesmente.
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade.
Podem-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade.
Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo.
Ou, ao menos, se não souberem o essencial.
E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil.
Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido.
Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou.
Somos sádicos e ávaros ao economizar nossos "eu te perdôo", te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo"- não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa:"seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto.
Oprimi-la é trabalho para uma vida.
Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A outra

(texto da jornalista Martha Mendonça publicado no delicioso Blog Mulher 7x7)

O que pensam, o que dizem e como agem as amantes dos homens casados? É melhor ser amante ou mulher traída? Existe fidelidade dentro da infidelidade?Há dez anos, a antropóloga Mirian Goldenberg, da UFRJ, defendeu sua tese A Outra: estudos antropológicos sobre a identidade da amante do homem casado. Agora ela relança o livro sobre o tema, aprofundando a atualizando algumas questões. Vamos a algumas delas:
Eu sou a única
As amantes crêem que os homens com quem têm um caso só fazem sexo com elas, nunca com as suas mulheres. “Todas elas acreditam que seus amantes lhes são fiéis. Confessam que emocionalmente seria insuportável se não fosse assim.”
O amante é um capital
Da mesma forma que um marido é considerado um “capital”, na definição da própria antropóloga, o amante também tem um valor no mercado dos relacionamentos e está longe de ser um mal pelo qual elas estão passando. “O amante, desde que fiel, é considerado um outro tipo de capital. Um pouco menos valorizado, mas ainda desejado.”
Não quero ser invisível
A amante tem amor, sexo, cumplicidade, mas não tem todo o resto. E sofre por isso. “A maior prova de amor que uma amante espera é que o homem casado passe o seu aniversário ou uma data festiva com ela, e não com a mulher”. Uma viagem a dois ou um encontro em lugar público são duas obsessões das “outras”, assim como poder telefonar a qualquer hora. “Ela dizem, ressentidas, que podem morrer nos fins de semana e eles nem vão saber”.
Amantes podem até ser mais felizes
Não viver a rotina e os problemas do casamento não deixa de ser uma vantagem. “Elas dizem que a maioria de suas amigas estão infelizes em casamentos que não as satisfazem. Ter um amante fiel e companheiro pode trazer mais felcidade”.
Não tenho tudo, mas ser enganada é pior
As mulheres pesquisadas preferiam ser as titulares, mas, se não é possível, ser amante é melhor do que ser a mulher traída. “Elas acham que é melhor ser a outra do que uma mulher sem homem. E muito melhor ser a outra do que a mulher casada e traída”.
As amantes pesquisadas fizeram até um ranking das possibilidades femininas (da melhor para a pior):
1- Casada com marido fiel2- Amante de homem casado fiel e que lhe dê liberdade3- Sozinha4- Traída pelo marido
Concordam?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Dias de peixe

Ele puxa o ar com a sensação esperançosa de que tudo o que está dentro dele, que machuca e sufoca, vai ser sugado para um posterior sopro libertador. Esse momento inicial de sucção dura segundos, mas é uma sensação sólida avassaladora capaz de fazer o tempo parar
pra ver o anzol, que vai cortar seja qual for direção que se mova.

Depois de toda a solidez reunida dentro de si o peixe precisa, numa tentativa sagaz e corajosa, esquecer do golpe imperdoável do anzol e estar determinado a expulsá-lo, de encontro ao alívio triunfal.

Reune então todo o ar que lhe resta até não haver mais fôlego. Esse é um momento particular, pois toda a concentração do animal está no seu corpo, e é preciso muito controle pra esquecer que se está frágil, que é presa, e recuperar o vigor de quem era livre há muito pouco e só será feliz com este destino.

Chega a hora do sopro. Longo, determinado, forte, exorcista. Esse momento parece breve, isso porque logo é engolido pela sensação pulsante do anzol preso ao corpo do bicho. Parece vivo como sua carne e, por esta razão, por vezes, poderá lhe parecer íntimo.

Por isso talvez o peixe, depois te tantas tentativas, até se acostume com aquela presença sólida e estranha. O ruim é só porque dói sempre que ele respira.

domingo, 3 de maio de 2009

Cenas do cotidiano


As cenas são de um campeonato de luta de mulheres na lama que ocorreu na China, em Wuhan, cidade do país conhecida por sua lama medicinal.
Se na China isso é evento, por aqui, a legenda por ser: cenas do cotidiano.
Muito medo da pista!
(solta o som, DJ!)